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Linfócitos B infectados com o vírus de Epstein-Barr
Linfócitos B infectados
com o vírus de Epstein-Barr
A Doença do Beijo (mononucleose infecciosa) é gerada através da infecção pelo virus de Epstein-Barr.

A infecção se propaga através da saliva e tem um período de incubação de quatro a sete semanas. Os sintomas costumam persistir durante duas ou três semanas, no entanto a astenia (fadiga) com frequência é mais prolongada.


O vírus de Epstein-Barr (EBV) é membro da família dos vírus Herpes DNA. Esta família de vírus é responsável
pelo Herpes-zóster (popularmente conhecido como zona, cobrão ou cobreiro), pelo herpes labial e pela varicela. È um dos vírus mais comuns e epidêmicos em todo o mundo.

Contrario a crença comum o vírus de Epstein-Barr não é altamente contagioso. Só pode ser contraído através do contato direto com a saliva de uma pessoa infectada. Isto inclui beijar, tossir, espirrar, compartilhar utensílios, escova de dente, bebidas e batom. Há evidencias que sustentam a ideia de que o vírus de Epstein-Barr, pode ser comumente transmitido através de relações sexuais, e excepcionalmente transmitido através de transfusão de sangue.

Aproximadamente 95% da população foi exposta a este vírus até os 40 anos de idade, no entanto somente entre 15-20% dos adolescentes e 40% dos adultos expostos são infectados.

O período de tempo que o individuo permanece contagiando os outros pelo vírus não é claro, mas pode ser maior durante as seis primeiras semanas depois da infecção. Alguns estudos indicam que uma pessoa pode transmitir a infecção durante muitos meses depois que os sintomas tenham desaparecido por completo, um estudo em particular indica um tempo de 18 meses.

O vírus se reproduz em primeiro lugar dentro das células epiteliais da faringe (causando faringite ou dor de garganta), e mais tarde dentro das células B (que são invadidas através de seu CD21). A resposta imune do hospede produz células T citotóxicas (CD8-positivas) contra os linfócitos B infectados, resultando em linfócitos atípicos aumentados (células de Downey).

Quando a infecção é aguda (de inicio recente, em lugar de crônica), se produz anticorpos heterofilos.

Patogenia


O vírus Epstein-Barr, possui glicoproteínas de superfície (gp350 e gp220) capazes de unir-se a um receptor (CR2 e CD21) para o ambiente de união em diferentes células do corpo, incluindo as células B e as células da orofaringe.

O vírus, uma vez em contato com os tecidos da orofaringe, se propaga pelos gânglios linfáticos das cadeias cervicais, o ambiente de contato com o linfócito B. A partir de aqui, como resultado da intensa replicação viral os vírus invadem a corrente sanguínea, livres ou associados a células B.

Na fase aguda se pode demonstrar a presença do genoma (em forma de epissomo) em aproximadamente 20% dos linfócitos B, com produção de um padrão típico de anticorpos, incluindo anticorpos heterofilos que indicam se existe a enfermidade, que são responsáveis por algumas complicações e fundamentais para fins de diagnóstico.

Após a fase aguda, o DNA do vírus de Epstein-Barr ainda se encontra nas células epiteliais da orofaringe e na memoria das células dos gânglios linfáticos.

De particular importância é a reação mediada pelas células frente aos linfócitos B infectados, as células são guiadas até os linfócitos T, as células reativas tendem a assumir uma morfologia particular e se designam como virocitos ou células de Downey. Os virocitos tem um tamanho variável e se caracterizam por um citoplasma espumoso, vacuolado, e intensamente basófilo, um núcleo ovalado, às vezes lobulado ou reniforme, que apresenta depósitos irregulares de cromatina densa e a vezes, nucléolos.

Formas semelhantes de patologia mais raras e diferenciadas são causadas por outros vírus do herpes (citomegalovírus, HHV-6), outras formas virais (adenovírus, VIH, VHA,R ubivírus), por Streptococcus pyogenes e Toxoplasma gondii.